CAMPANHAS EDUCATIVAS SÃO IGNORADAS!
Publicado por estudiosas em Outubro 28, 2008
Segundo os adolescentes os alertas veiculados na mídia não são atrativos.
Psicóloga esclarece o por que do envolvimento precoce dos adolescentes com a bebida.
Por Cecília Nunes e Isabela Martins
O estudante Leandro Henrique de Sousa,16 anos, há três anos consome bebida alcoólica de forma excessiva. A difícil relação com os pais ocasionou a consolidação desse fato. “Meus pais são separados e eu vivo um tempo em cada casa. A conversa familiar é mínima, então encontro no álcool uma forma de chamar atenção de todos. Hoje não tenho limite. É praticamente impossível me controlar”, expressa Leandro.
Segundo o pai de Leandro, Hermógenes de Sousa, de 38 anos, constantes discussões sobre o assunto, levam o garoto a consumir álcool com mais freqüência. Por já ter se envolvido com acidentes de trânsito por causa do álcool, o jovem não poderá tirar sua carteira de habilitação aos 18 anos.
De acordo com a psicóloga do Centro de Estudos de Gestalt Terapia de Brasília Sumarli de Campos Oliveira, os pais encontram dificuldades em lidar com os filhos sobre o alcoolismo porque a grande maioria não reconhece o álcool como uma droga, ou porque são alcoólatras.
Sumarli ressalta que o problema desse envolvimento precoce é exatamente por que muitas vezes o jovem não tem estrutura emocional para usar a bebida. “Eles começam a consumir como saídas para as frustrações e alegrias, gerando uma dependência cada vez mais cedo e perigosa”, afirma a especialista.
O uso de bebida alcoólica tem graves conseqüências e em muitos casos deixam seqüelas físicas e psicológicas. Acidentes de trânsito, perda de produtividade no ambiente escolar, problemas familiares e violência urbana são situações vinculadas a esse consumo irresponsável.
Alertas sobre a combinação perigosa entre álcool e direção estão sempre em evidência na mídia, através de campanhas educativas ou exemplos reais de acidentes, mas mesmo assim os riscos e as conseqüências dessa mistura não são bem compreendidas pelos adolescentes. “Esses alertas nem sempre chegam a mim de forma eficaz. Digo isso por mim e pelos meus amigos da mesma faixa etária, pois não entendo por que um bafômetro acusa o álcool no sangue e não acusa o uso de uma droga que deixa a pessoa mil vezes mais louca, causando tragédias com certeza piores”, desabafa Leandro.
Alguns novatos no quesito “trânsito”, porém, mostram-se assustados por conta dos corriqueiros casos de acidentes provocados por motoristas embriagados. Felipe Nunes, estudante de 19 anos, há alguns meses trocou sua habilitação temporária pela permanente. “Tenho habilitação há pouco mais de um ano, mas procuro ser responsável quando estou no volante e abomino a idéia de combinar bebida e direção. Sempre dá errado”, afirma.
Para o adolescente, as campanhas educativas, sobre álcool e direção, veiculadas atualmente são comuns e não trazem nenhum diferencial que prenda a atenção. “Com certeza se fossem campanhas realmente criadas para jovens não seriam tão monótonas assim. Ninguém tem paciência de ficar sentado escutando tanta conversa. Essas campanhas deveriam ser totalmente dinâmicas, nada de papel ou TV. Mas confesso que existem exceções, algumas são bem criativas. O difícil mesmo é levar a sério”, exclama o rapaz.
Procurar um especialista pode ser uma boa saída para o tratamento dos menores alcoólatras. O mais aconselhável, diz a psicóloga Sumarli, é a junção entre o acompanhamento das famílias e a participação nas campanhas de proibição da venda de bebida a menores de 18 anos. “Ao apostar nessa fórmula de integração familiar e na conscientização dos jovens sobre o uso precoce do álcool, possivelmente o alcoolismo será banido do cotidiano desses brasilienses”, finaliza Sumarli.